Contra Moraes devem ser aplicados todos os abusos e violações do devido processo legal que ele praticou. A esquerda, sem inteligência e cultura, como sempre, zurra.
Na França, durante o reinado de Francisco I (1515 a 1547) , o chanceler Guillaume Poyet veio a julgamento. Poyet havia sido o principal autor da Ordenança de Villers-Cotterêts, pela qual o acusado ficava privado da assistência de um advogado. No seu julgamento, no entanto, solicitou um advogado, o que foi negado pelos juízes que então lhe repetiram o famoso adágio "patere legem quam ipse fecist", que significa "suporta a lei que tu mesmo fizeste".
Alexandre deveria ter contra si, agora, toda a legalidade transviada que ele mesmo criou, sem poder reclamar, como:
- ter sua casa invadida e seu celular confiscado para praticar o fishing and expedition (coleta provas em "pesca probatória");
- ter a oportunidade de fazer delação premiada com um juiz lhe dizendo que seu filho e sua esposa serão presos se ele não confessar o que quer;
- ter admitida contra si, como prova, uma "minuta" que nunca assinou, impressa por alguém do escritório de sua esposa, constituindo essa uma "prova cabal";
- ficar preso sem acesso aos autos, por meses;
- ter como provado seu comparecimento ao Banco Central para falar sobre o Master mesmo que se prove nunca viajou para São Paulo (aplicando a regra que criou para Filipe Martins);
- ter determinado, contra si, como início de execução do crime de advocacia administrativa (art. 321 do CP), a simples conversa que tenha realizado com alguém não pertencente ao BC;
- ter todas as contas dele, do escritório de sua esposa e de seus filhos bloqueadas;
- ser ele, sua esposa e seus filhos impedidos de se manifestarem nas redes, darem entrevista e falar com qualquer um dos outros ministros;
- ter seu passaporte bloqueado;
- ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica.
Visitando as páginas da "Revista Fórum" e de conhecidos blogs/blogueiros de esquerda do mesmo naipe intelectualmente subnutrido, poucas vezes vi tamanha concentração de burrice como constato haver nos comentários das matérias sobre o Master, Moraes & Cia.
Na maioria deles se acena com a ideia e o desejo de que Alexandre prenda todos que o denunciam, cuidando-se de comentários escritos por verdadeiros imbecis que não se dão conta do que estão falando.
Ou seja, estão endossando claramente os desmandos pelos quais se converteu em normalidade que o próprio juiz denunciado seja aquele que vai promover o inquérito, acusar, e sentenciar, numa verdadeira aberração processual pela qual o STF decapitou o devido processo legal no curso da farsa pela qual promoveu um golpe de Estado Judicial, banindo dos institutos processuais a suspeição e afundando a imparcialidade que essencializava o papel do juiz.
Na Itália o tribunal caiu na gargalhada ao saber que ele mesmo, como juiz denunciado, seria o juiz a julgar Tagliaferro, o que, aliás, seria de fazer corar de rir qualquer tribunal sério.
Amiúde esta classe de idiotas fala de "provas", agora exigindo todo rigor, dizendo que não há prova nenhuma, mas, como pudemos ver nos processos inquisitoriais que Alexandre comanda subvertendo o país nos desvãos do arbítrio, não passando tudo de condenação ensaiada, esse rigor probatório não teve lugar, havendo os despachos mais precários para dar-lhes subsistência. Já contra Lula tinham todas as provas, mas inventaram uma suspeição de Moro como forma de anular até mesmo os atos pré-processuais para que o prazo prescricional não tivesse sido interrompido, livrando-se Lula somente pela prescrição.
Ora, o que teria Viviane Barci a oferecer como bagagem intelectual para cobrar 129 milhões de reais num contrato de consultoria ao Banco Master?
É inevitável, perante a ausência de qualquer quesito justificador, pensar que se tratava de venda da influência de seu esposo, convertido no homem mais poderoso do Brasil, integrante do órgão que dará a palavra final sobre qualquer questão legal envolvendo o Banco.
Provas de reunião com Galípolo, presidente do BC, são, portanto, secundárias.
Devem ser consideradas como inexistentes as hipóteses meramente lógicas sobre fatos concretos, como, por exemplo, a hipótese de que um ser de outra dimensão tenha matado Kennedy. A ciência não tem como provar que não há seres de outra dimensão, mas a hipótese é irrelevante, servindo apenas à consideração lógica. Logo, utilizando o mesmo critério, qualquer outra hipótese que não fosse uso da influência de seu esposo é implausível.
Alexandre deve estar com uma comichão nas mãos, ávido de puxar o cordão das denúncias contra si para dentro do inquérito dos atos antidemocráticos, usando a desculpa estapafúrdia que o STF já aceitou, em mais uma de suas ignomínias, de que é o Estado, e não ele que está sendo atacado, o que acabaria com a prevalência do homem sobre o juiz que é o fundamento do instituto da suspeição.
Felix Soibelman