Não é difícil perceber que as menções à esposa do Ministro Alexandre de Moraes, no caso do Banco Master, geraram um vácuo de manifestações que contrasta drasticamente com o rigor institucional de anos anteriores. Diferente de outros períodos da República, onde qualquer suspeita envolvendo familiares de autoridades geraria pedidos imediatos de investigação, o atual momento é de paralisia.
Nossas autoridades tentam fazer crer que um contrato de 129 milhões de reais não merece investigação nenhuma. Na PGR, até o momento, não houve abertura de inquéritos ou movimentações públicas para apurar as relações do escritório da mulher do ministro com o Banco. A OAB, que no passado era conhecida como a voz da sociedade civil, está calada evitando confrontos com o STF.
As Associações de Juízes, que costumam sair em defesa da "independência funcional" dos magistrados, para este caso o silêncio serve como uma proteção corporativa, evitando que críticas a um ministro respinguem em toda a magistratura. Parte da imprensa justifica o silêncio sob o argumento de que criticar o STF poderia "enfraquecer a democracia" ou alimentar discursos de extrema-direita.
Sabemos que escândalos de menor potencial ofensivo no governo anterior ocupavam semanas de manchetes. Agora, as atuais denúncias de conflito de interesse no sistema financeiro e judiciário são tratadas como notas de rodapé ou "teorias da conspiração. É lamentável, mas continuam caladas as figuras públicas, influenciadores e políticos que, no passado, fingiam combater a corrupção e defendiam a defesa da ética pública.
É triste comprovar que a fiscalização do poder não depende da lei ou da ética, mas sim de quem está sendo investigado.
Vicente Lino.