A Gazeta do Povo perguntou aos 81 senadores se consideram importante tornar público o número de brasileiros com contas bloqueadas por ordem do STF e do TSE desde 2019. Apenas 33 senadores responderam que sim. Algumas respostas foram enfáticas em defesa da liberdade de expressão:
O senador Flávio Bolsonaro respondeu que o cidadão tem direito de saber quantas pessoas foram caladas por decisão judicial;
Eduardo Girão respondeu que a censura precisa ser exposta com números claros para que a sociedade julgue;
Styvenson Valentim lembrou que quem tem medo de transparência geralmente tem algo a esconder;
Carlos Portinho cobrou que isso é o mínimo que se espera num Estado Democrático de Direito;
Rogério Marinho advertiu que o povo precisa saber a extensão do cerceamento da liberdade de expressão.
48 senadores não responderam. O Brasil decente se assusta quando mais da metade do Senado prefere o silêncio à defesa aberta da transparência sobre atos de censura. Não sabemos se muitos deles temem retaliação do próprio STF ou se simplesmente compactuam com a falta de publicidade desses números.
Ou talvez seja correto afirmar que o silêncio de 48 senadores é a confissão mais eloquente de que, para boa parte da classe política, a liberdade de expressão só vale quando não incomoda o sistema. Quem não respondeu ignorou o direito à liberdade de expressão — que não é concessão do Estado: é direito natural, anterior a qualquer Constituição. É o mais sagrado pilar da Primeira Emenda americana e o mais celebrado do artigo 5º da Constituição brasileira (“é livre a manifestação do pensamento”).
Ao exercer esse direito sem medo, mais rápido teremos um Brasil maior, mais justo e mais corajoso. Calar nunca melhorou nação alguma. Falar sempre melhora.
Vicente Lino.