Não é nada novo, mas o Conselho de Administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer o caixa e realizar uma reestruturação da companhia. Por. Por enquanto, o empréstimo foi barrado pelo Tesouro, mas a gente sabe que os Correios sempre foram socorridos com dinheiro público. É uma praga de gafanhotos que nunca deixa a lavoura em paz.
Em 2013–2020, o governo federal injetou cerca de R$ 5,6 bilhões para cobrir rombos operacionais e dívidas. Em 2017 foram R$ 2,8 bilhões de uma vez. É igual a enxugar gelo porque o fundo de pensão dos Correios tem um déficit estimado entre R$ 20 e R$ 25 bilhões. O resumo da ópera, é que em menos de 15 anos, os Correios já receberam mais de R$ 15 bilhões diretos ou indiretos do Tesouro, sem contar o rombo do seu Fundo de Previdência que ainda vai custar muito mais.
Não é difícil entender. Quando dão prejuízo, o contribuinte paga. Quando dão lucro, parte vai para cobrir buracos antigos e outra parte sustentar salários e benefícios acima do mercado. O pagador de impostos sabe que manter estatais deficitárias e aparelhadas nunca foi uma questão ideológica de “Estado forte”. Foi, isso sim, uma estratégia de poder: empregar correligionários, financiar campanhas com dinheiro sujo e manter uma base sindical fiel. O PT não inventou o aparelhamento – ele existia antes –, mas levou a prática a escala industrial, com consequências financeiras e morais. Nossos impostos serão sempre coercitivamente cobrados para sustentar a farra. O PT não quer, mas a privatização é o único caminho comprovado para romper esse ciclo.
Enquanto empresas estatais forem usadas como extensão do partido no governo, o prejuízo será sempre do contribuinte e o benefício será sempre da mesma cúpula política e sindical.
Vicente Lino.