O Presidente Lula escancarou um raciocínio tortuoso quando afirmou que os traficantes de drogas são vítimas dos usuários. É uma absurda tentativa de relativizar a responsabilidade do traficante no ciclo da violência e do crime, além de ignorar o papel destrutivo do tráfico de drogas na sociedade e na segurança pública. Também, passou a mensagem de que o governo quer desviar atenção da necessidade de combate rigoroso ao crime organizado e da proteção imediata da população contra a violência. Pouco depois, quando a maioria da população aprovou as operações policiais contra os traficantes no Rio de Janeiro, Lula depois de um silêncio prolongado, resolveu afirmar que a operação foi uma matança.
Os posicionamentos de Lula, de seu ministro de Segurança Pública Ricardo Lewandowsky e do TSE, que agora denuncia o Governador Claudio Castro, demonstram um claro desalinhamento com o sentimento da maioria da população que busca maior segurança e uma postura de enfrentamento ao crime. De acordo com as pesquisas mais recentes, essa postura é a causa da queda na popularidade do presidente. Talvez não adiante muita coisa apertar o cerco contra as ações policiais nem cassar o mandado do Governador. O eleitor pode ter percebido que há coordenação e alinhamento das instituições com a posição adotada pelo Presidente e negar-lhe o voto.
As comunidades sofrem com o domínio de seu território, são forçados a comprar produtos básicos a preços, além dos casos de torturas e mortes. Na hora de votar, o eleitor vai se lembrar de quem efetivamente o livrou das garras dos criminosos. Agora, sem o direito de ir e vir e separados por barricadas, os moradores conhecem aqueles que lhes causam sofrimento. No Complexo do Alemão, na Esplanada dos Ministérios e no Palacio do Planalto.
Vicente Lino.