A ideia de realizar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no coração da Amazônia mostrou uma série de contradições, falhas logísticas e denúncias que expõem a fragilidade da organização e a incoerência do discurso ambiental brasileiro perante a comunidade global. Até o encerramento, no dia 21, a coisa pode piorar ainda mais.
A insuficiente estrutura hoteleira de Belém expôs uma especulação imobiliária desenfreada, inviabilizando a presença de algumas delegações, o que pode afetar a legitimidade das negociações. É contraditório, o governo defender o clima no momento em que autoriza a Petrobras a perfurar poços de petróleo na Margem Equatorial (próximo à Foz do Amazonas).
Tem mais: houve denúncias de falta de água nos banheiros em áreas de imprensa, superfaturamento em obras e alto custo de itens básicos, escancarando o descontrole de preços. Como de hábito, Lula impôs sigilo sobre os gastos de sua acomodação, afetando a transparência de todo o processo.
A hospedagem do Presidente Lula e da Primeira-Dama Janja no luxuoso iate privado Iana III foi mais um exemplo de desconexão do Presidente com o cenário de dificuldades logísticas enfrentadas pelos demais participantes. A ausência de importantes chefes de estado e governo, como Estados Unidos, China e Rússia, significa esvaziamento do evento e perda de relevância internacional.
A COP 27, no Egito, teve a presença de 102 chefes de Estado e de Governo; na COP 28, em Dubai, foram 139; na COP 29, no Azerbaijão, foram 61. Em Belém, gastamos 5 bilhões, mas apenas 31 chefes de Estado e de governo testemunham a incompetência do governo Lula.
Vicente Lino.