Reportagem da Gazeta do Povo, dá conta de que a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz concedido a Maria Corina Machado foi cancelada. Os organizadores alegaram que esta edição do prêmio “não está alinhada com os valores da instituição”.
A gente não sabe porque o Conselho da Paz negou, mas sabemos que, ao negar a participação na celebração de Maria Corina, o Conselho da Paz, por mais que alegue fidelidade a princípios de não-violência e diálogo, parece ignorar o contexto de uma ditadura feroz que esmagou o diálogo e a não-violência na Venezuela.
Sabemos também, que a luta por direitos democráticos, especialmente em um regime autoritário, raramente é "limpa" ou "confortável" para os observadores externos. Se o Nobel da Paz reconhece a luta pela democracia, a recusa em celebrar o laureado sob estas circunstâncias representa um isolamento desnecessário de uma voz que o próprio Comitê Nobel escolheu para representar a paz através da liberdade. Ela enfrentou perseguição, inelegibilidade forçada por 15 anos sob acusações não provadas, teve colaboradores detidos.
Também viveu na clandestinidade temendo ser presa, mas permaneceu no país liderando a oposição. Tudo isto, enquanto o regime utilizava e ainda utiliza a repressão brutal e prisões políticas para silenciar dissidentes. Organizações internacionais de direitos humanos confirmam uma crise humanitária, que forçou mais de 7,7 milhões de venezuelanos a migrarem, fugindo da fome e da falta de serviços básicos, uma das maiores crises migratórias do mundo. Maria Corina denunciou incansavelmente essa catástrofe econômica e social como resultado direto da corrupção e do autoritarismo do regime.
Ela é a principal opositora de um regime baseado na perseguição e na violência. Para os ilustres conselheiros, talvez a violência na Venezuela seja o novo ingrediente da paz.
Vicente Lino.