Não sabemos porque, as graves denúncias de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral, não repercutiram na chamada grande imprensa. Ele afirmou na Subcomissão Especial sobre o Combate à Censura, na Câmara dos Deputados, que Moraes promoveu um mutirão de perseguição à direita durante sua presidência na Corte, entre 2022 e 2024.
Perfis conservadores eram monitorados e derrubados em redes sociais por orientação de servidores e integrantes de comissões internas do TSE. Servidores das plataformas de internet participavam das reuniões no Tribunal e, se não atendessem às demandas do ministro, eram ameaçados com a derrubada da plataforma. Ele citou os nomes de Dario Durigan (ex-diretor de Políticas Públicas do WhatsApp) e José Levi do Amaral Júnior (ex-secretário-geral do TSE. Tagliaferro afirmou que quem está destruindo toda nação e o Estado Democrático de Direito é o próprio Alexandre de Moraes. Ele fez toda uma manipulação, não só processual, mas uma manipulação de mídia e uma perseguição nas redes sociais.
Em qualquer país sério, revelações desse calibre resultariam em uma crise institucional de grandes proporções, em CPIs devastadoras e no afastamento imediato do denunciado até completa apuração dos fatos. No entanto, a chamada grande imprensa permanece calada e, por isso é acusada de ter escolhido um lado do espectro político no Brasil.
O papel fundamental do jornalismo é atuar como mediador neutro e fiscal do poder. Quando a imprensa esconde a notícia, o público passa a acreditar que esses veículos são, na verdade, agentes políticos disfarçados e a credibilidade vai por água abaixo. A boa comunicação exige pluralidade de vozes, imparcialidade, coragem e transparência nos critérios editoriais. Nos dias de hoje, nada disso se encontra na chamada grande imprensa.
Vicente Lino.