Há um laboratório de pesquisa funcionando dentro da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o NetLab. Seus pesquisadores acabam de lançar um livro falando sobre “os impactos da indústria da desinformação nos consumidores brasileiros”. O livro traz uma série de críticas às big techs e seus modelos de negócio e defende uma regulamentação contundente das redes sociais, alegando questões como desinformação e manipulação política.
O que pega nesta história toda é que o NetLab recebeu uma bolada de 2 milhões do governo federal, segundo eles, para o combate ás fake News. A dinheirama reacende o debate sobre a legitimidade e a independência de instituições que atuam na regulação das redes sociais. E a coisa piora muito quando uma instituição que produz dados para defender uma regulação mais severa, incluindo a remoção de conteúdo, passa a ser financiada diretamente pelo governo que defende essa mesma linha de ação. A credibilidade vai pôr abaixo e escancara a falta de transparência entre o poder público e a academia.
Nessa toada, é impossível acreditar que o trabalho garanta que as políticas públicas sejam baseadas em evidências isentas, e não em agendas políticas. Parece mais uma parceria para censurar e não para combater desinformação. Tem mais; ao receber financiamento público, o laboratório perde sua imparcialidade e autonomia, ao alinhar suas análises e recomendações aos interesses políticos do governo. Não é difícil acreditar que o verdadeiro objetivo da regulação é silenciar vozes críticas ao governo e ao judiciário e não proteger a democracia.
Gente assim, nunca está comprometida com a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias no ambiente digital. O STF, o governo e os partidos da esquerda brasileira acabam de ganhar um reforço em sua triste luta contra a liberdade de expressão. A sociedade precisa reagir.
Vicente Lino.