O sentimento partilhado por milhões de brasileiros, por conta da vergonhosa roubalheira nas aposentadorias do INSS é de revolta, indignação e pede justiça para os criminosos. Mas, infelizmente, dadas as ações do judiciário brasileiro, sempre a favor dos criminosos e contra o povo decente, talvez só nos reste mesmo, a indignação. E sem saber se essa indignação será capaz de mudar esse cenário de perpétua impunidade. Vale lembrar que todos, vamos repetir – todos os ladrões do mensalão e da Lava Jato já estão soltos e voltaram a roubar. Para o colunista da Gazeta do Povo, Francisco Escorsim, pior que indignação é o sentimento de nojo. Uma coisa é aquela indignação que faz você tentar corrigir o que está errado. Já quando o nojo vence a indignação, você tem repugnância de olhar para aquilo. E a repugnância aumenta quando o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirma que Frei Chico, irmão do presidente Lula, não é investigado. A indignação e o nojo se juntam, quando sabemos que ele é o Vice-Presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, que a arrecadação do seu sindicato aumentou de 17 para 90 milhões em 2023, e que desde 2019, Sindicato do Frei Chico já arrecadou ilegalmente 259 milhões de reais dos aposentados.
Tem mais: O INSS dispensou exigência de biometria para o seu sindicato, não se sabe se para facilitar a trapaça. Juntando todos os sindicatos envolvidos, a roubalheira já alcançou 6,3 bilhões de reis. Esse repugnante assalto representa um ataque direto a uma das camadas mais vulneráveis da sociedade: os idosos que contribuíram a vida inteira e hoje são tratados com descaso. No Congresso, as assinaturas são suficientes para a CPI, mas apenas dois líderes partidários assinaram. O tal sistema, que inclui justiça, congresso e imprensa, impõem no Brasil que trabalha um cansaço moral e uma frustração crônica diante de um sistema que parece blindado contra qualquer tentativa de correção. A sensação de que tudo já foi tentado e que nada funciona é, por si só, um sintoma grave de esgotamento democrático. Que Deus nos proteja.
Vicente Lino