Aqui neste canto, falamos sobre a promoção de quase todos os procuradores da Advocacia Geral da União. Na ocasião, foram promovidos, de uma só tacada, 606 servidores correspondendo a 92% de todo o grupo. Quase todo mundo. Num momento em que o país atravessa sérias dificuldades na economia, com quase 15 milhões de desempregados e crescimento negativo, ficava mesmo muito difícil entender como uma categoria poderia agir com toda essa desenvoltura.
Agora, somos informados que a medida foi suspensa, atendendo ao pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, em decisão tomada pelo procurador-geral federal Leonardo Silva Lima Fernandes. Muito bom. Entendo que sempre deve haver manifestação da opinião pública, contra absurdos como esse. É imprescindível, o nosso papel fiscalizador, contra esses atos porque, como se sabe, com o Congresso a gente nunca pode contar.
O coordenador-geral de pessoal, Watson Monteiro Oliveira, afirmou que seria recomendável a suspensão da portaria que oficializou as promoções porque "tendo presente os questionamentos suscitados com a publicação do referido ato, e com fulcro no poder geral de cautela da Administração”. Bem; a gente nunca vai saber, o que o Oliveira quis dizer com cautela da Administração, mas, ainda assim comemoramos a suspensão de promoção da moçada. O que incomoda é que esse pessoal tinha avançado mesmo durante uma séria crise econômica e sanitária. Se a sociedade não vigiar não há carga tributária que consiga pagar as tais promoções, com todas as aspas, claro.
Vicente Lino.