É assustador, mas o ministro Luís Roberto Barroso quer que inocentes vivam a realidade paralela em que ele vive. Em seu mais recente delírio, ele afirmou que dois terços dos envolvidos no protesto que levou à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes poderiam ter a pena suspensa, mas mais da metade deles preferiu a condenação. No Brasil real, a justiça do Barroso quer obrigar inocentes a confessar por crimes não cometidos. O ministro consegue piorar, quando afirma que: “São pessoas que têm um radicalismo ideológico a ponto de preferirem a condenação a aceitarem um acordo de não persecução penal em bases bastante leves”. Ele sabe que em qualquer sistema jurídico, o princípio de que "ninguém é culpado até que se prove o contrário" é essencial.
E que qualquer acusação de crime deve ser provada de forma justa e de acordo com os procedimentos legais, sem coerção ou pressão. Como se sabe, em nenhum momento aqueles brasileiros tiveram seus direitos mais básicos minimamente respeitados, nem sua culpa provada de forma justa. A coisa é tão aterrorizante que o que aceitar o aviltante acordo, ainda está sujeito ao pagamento de uma multa de R$ 5 mil reais; ficar dois anos sem rede social e fazer um curso sobre democracia do Ministério Público. Sobre democracia, depois de presos injustamente e julgados sem o devido processo legal. Forçar uma confissão ou ameaçar com penas mais graves é violação dos direitos humanos e da justiça, especialmente se a pessoa se considera inocente. O ministro não liga para nada disto.
Vicente Lino.