É assustador ouvir o Ministério da Segurança Pública, afirmar que o uso progressivo da força estabelece que as abordagens policiais devem começar sempre de forma branda e o uso de armas letais acontece somente em último caso. E também, que a segurança dos cidadãos é contra os excessos do próprio estado e uma polícia verdadeiramente democrática, que quer garantir a segurança dos cidadãos, não pode praticar violência. A coisa é ainda mais aterrorizante quando uma apuração do próprio Ministério da Justiça, dá conta de que 23 milhões de brasileiros estão em áreas dominadas por 72 facções e milícias. Conforme reportagem da Gazeta do Povo, os estudos indicam que em 2024 surgiram quatro novas organizações criminosas além das existentes em 2023, quando 68 tinham sido mapeadas. São pequenos grupos armados que operam, principalmente, em pareceria com grandes facções. Segundo o ministro Ricardo Lewandowsky, “uma polícia verdadeiramente democrática, que quer garantir a segurança dos cidadãos, não pode praticar violência”.
Cabe ao ministro e seus seguidores explicar, se a polícia deve atuar de forma branda com as atuais 72 facções e milícias, responsáveis por 39,5 mil assassinatos em 2023 ainda como combater os 937,3 mil roubos ou furtos de celulares em 2023. Na cabeça dele a polícia que age com firmeza contra essa gente não é uma polícia verdadeiramente democrática. De acordo com o cientista político, especialista em Segurança Pública, Marcelo Almeida, “observa-se ao longo dos últimos anos um avanço das organizações e do crime organizado no Brasil e, algumas delas, com forte atuação internacional. Elas saíram dos presídios, de onde nasceram, para se tornarem grandes multinacionais bilionárias do crime”. Pode piorar, porque depois da soltura de 50% dos presos, nas audiências de custódia, da política de desencarceramento e da limitação do uso armas, o ministro quer a polícia agindo de forma branda ou não será verdadeiramente democrática.
Vicente Lino.