O ministério da Justiça tenta enfiar goela abaixo dos governadores, o decreto que limita o uso de armas pelas polícias no combate ao crime. O ministro Ricardo Lewandowski teve coragem de afirmar que o texto foi construído a partir de um amplo debate entre o governo federal e representantes dos entes federados. Não se pode acreditar no ministro, claro. O povo que paga a conta, só toma conhecimento dessas questões e de várias outras pela imprensa. Há, desde sempre, o péssimo hábito de ignorar a opinião pública, mesmo porque o governo age como se soubesse mais do que o povo que o sustenta. O desastre atinge a todos nós. Há instrumentos muito raramente utilizados para ouvir o povo. Um deles é o plebiscito que o governo não quer nem ouvir falar. Como se sabe, o plebiscito é uma consulta feita aos cidadãos sobre alguma questão importante para o país. É uma forma de saber a opinião do povo antes que seja tomada a decisão e está previsto na Lei 8.624 de 1993. Governo e suas instituições sabem que o povo, se consultado, jamais concordaria com a maioria de seus decretos, bem como, com a maioria dos atos administrativos.
Por isso mesmo, tudo é feito na calada da noite, a exemplo do ato do Conselho da Criança do Adolescente que tentou aprovar o aborto em menores de idade sem o conhecimento dos pais. Ou da reinvenção do tal quinquênio para membros do Poder Judiciário, que vai nos custar.5 bilhões de reais por ano para beneficiar 20.000 gatos gordos. Desaforos como esses jamais seriam aprovados pelo povo. Mesmo porque o Judiciário já nos custa mais de R$ 116 bilhões por ano. Quanto ao decreto que pretende desarmar a polícia, Lewandowsky afirmou que o objetivo de seu ministério foi construir um texto de consenso sobre o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública em todo o país. Ele usa carro blindado, anda com segurança armada, e finge ignorar a morte de 119 policiais militares, 21 policiais civis e um policial federal, no ano passado. Vai piorar.
Vicente lino.