A gente sabe que, quando as políticas econômicas não são claras ou previsíveis, empresários e investidores reduzem os investimentos em setores produtivos. Além do que, quando falta clareza no cumprimento de contratos e certeza no ambiente regulatório, não é raro virem juntas as irremediáveis decisões judiciais ou políticas que só atrapalham. O cenário não é bom. De acordo com o levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, neste primeiro ano de governo Lula, o Brasil caiu 6 posições no Índice Firjan de Competitividade Global. Ocupamos agora a 46ª posição entre 66 nações avaliadas. Há dez anos o Brasil ocupava a 40ª posição. A análise revela piora em três dos quatro grupos de indicadores avaliados: eficiência do Estado, infraestrutura e ambiente de negócios. Não é novidade, a afirmação do gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart.
Segundo ele: “Quando olha eficiência do estado como um todo, o Brasil piorou no quesito controle da corrupção, nas tarifas e na proteção excessiva”. Não há preocupação em promover reformas que tornem a máquina pública mais eficiente e o desmonte da Operação Lava Jato estimula a corrupção. Tanto que o ponto mais crítico para o país é a eficiência do Estado, com uma queda para a 52ª posição no quesito que avalia controle da corrupção e na 56ª posição na qualidade dos serviços públicos. Outro quesito mal avaliado é o respeito às regras e contratos e a ação do Judiciário, que afetam diretamente a confiança em investir no país. E piora porque, o Brasil perde em competitividade para o Panamá, Vietnã, Índia, Indonésia, Marrocos e África do Sul. E na qualidade dos serviços públicos, o. Brasil está entre os oitos piores e já foi ultrapassado por Índia e África do Sul, na eficácia do Estado. Sem reação, continuaremos sofrendo com o peso de uma máquina pública inflada, corrupta e ineficiente. E a pagar, coercitivamente, por tudo isso.
Vicente Lino.