A Lei de Acesso à Informação informa, que a cidade de São Paulo tem quase 370 mil imóveis sem ligação com a rede de esgoto, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. Segundo a Sabesp, um terço dos imóveis sem saneamento básico estão nas Zonas Sul, Zona Norte, Leste, Centro e na Zona Oeste. Há exemplos dramáticos, como é o caso da comunidade do Jardim Ellus, com 500 famílias onde o saneamento até agora não chegou. Por isso, em parte das casas, o esgoto é lançado em fossas sépticas e em outra parte a situação é ainda mais precária: ninguém tem nem fossa e o esgoto vai direto do cano para o córrego que passa ao lado das casas. Para dar conta do atendimento à população, o governo do Paulista decidiu apresentar à Assembleia Legislativa o projeto de privatização da Sabesp, responsável pelo saneamento. A Assembleia aprovou o projeto com 62 votos favoráveis e apenas 1 contrário. Na prática, o governo vende parte das ações que possui na empresa e transfere o controle para a iniciativa privada que precisa investir 66 bilhões para universalizar o atendimento. Repetindo o deplorável comportamento de sempre, o PT acaba de protocolar um pedido de suspensão da privatização da Sabesp no Supremo Tribunal Federal.
O Partido não se preocupa com o fato de que o contato com esgoto e o consumo de água sem tratamento estão ligadas à altas taxas de mortalidade infantil causadas por doenças como parasitoses, diarreias, febre tifoide e leptospirose. Prefere operar para manter os companheiros empregados nas estatais. A rara e boa noticia é que o ministro Luiz Roberto Barroso manteve na sexta-feira, dia 19, a privatização da empresa. Segundo ele, as supostas irregularidades alegadas pelo PT dependeriam de provas, o que o partido não apresentou. Ainda bem que, desta vez, o Supremo entendeu que a decisão sobre a privatização da Sabesp partiu daqueles que expressam a vontade do povo.
Vicente Lino.