Como se sabe, durante um bom tempo as campanhas políticas eram alimentadas pelo chamado caixa 2. A empresa doava, por fora, diretamente ao candidato, obviamente sem prestação de contas. Havia também, o caixa 3. Aí o dinheiro era sacado em offshores, no exterior, para as empresas doarem, também por fora, claro. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal proibiu doações de pessoas jurídicas para campanhas políticas, no lugar de fiscalizar e punir os crimes eleitorais. Então, o congresso, em sua maioria, formado por espertalhões, imediatamente transferiu as despesas de campanha para o brasileiro pagador de impostos. Pronto pra inventar mais uma lei, em benefício seu benefício, e só seu, o Congresso criou o tal fundão eleitoral, previsto nos artigos 16-C e 16-D da Lei nº 9.504. A excrescência é uma das principais fontes de receita dos partidos para financiamento de suas campanhas eleitorais. E a coisa só piorou porque numa dessas madrugadas de 2023, o Congresso Nacional, sem nenhum constrangimento, aprovou um aumento astronômico do famigerado fundão eleitoral, para as eleições municipais de 2024. O valor previsto na proposta orçamentaria era de R$ 939 milhões, mas acabou sendo aumentado em 428%, chegando a R$ 4,96 bilhões.
Tudo mundo ficou calado, ninguém foi preso e agora a dinheirama será, de novo, dividida entre 29 partidos para o financiamento das campanhas de prefeitos e vereadores. O PL vai receber R$ 886,84 milhões, seguido do PT, com R$ 619,86 milhões. Até o PCO, partideco que recentemente foi ás ruas apoiar o massacre dos terroristas do Hamas contra inocentes, vai receber 3,42mil reais. A conversa fiada de sempre é que o fundão está bancando a democracia, quando na verdade somos obrigados a financiar perversas ideologias, com as quais nunca concordamos. Com poucas e raras exceções esse assalto serve apenas para saciar a fome de dinheiro dessa gente.
Vicente Lino.