O vídeo que rola na internet onde presos da Operação Lava Jato comemoram a chegada dos processos no STF, é confirmado por cada decisão do ministro Dias Toffoli. Em mais uma dessas decisões, monocraticamente como se tornou habitual, o ministro declarou a “nulidade absoluta” de todos os atos processuais e investigações em desfavor de Marcelo Odebretch. O que o bom senso, a ética e a moral esperavam é que Toffoli se declarasse suspeito para tocar os processos contra o empreiteiro. Afinal, como é público, Marcelo Odebrecht já identificou o ministro, em depoimento oficial, como sendo “o amigo do amigo de meu pai”, numa referência ao presidente Lula da Silva, à época investigado no âmbito da Lava Jato, e ao seu pai, Emílio Odebrecht –, amigo de longa data do atual presidente.
É assustador, se é possível alguém se assustar com alguma coisa, nos tempos atuais, mas em sua decisão, o ministro tenta nos fazer acreditar que Marcelo Odebretch seria, na verdade, uma pobre vítima da truculência do Estado a merecer o amparo da mais alta instância do Poder Judiciário. Fingiu se esquecer de que o empreiteiro confessou a prática dos crimes dos quais foi acusado – em particular, o pagamento de propina para ao menos 415 políticos de 26 partidos. Dias Toffoli dá de ombros para os fatos e zomba de nossa inteligência, Na cabeça dele, um dos empresários mais bem sucedidos do país, assessorado por advogados altamente qualificados teria sido alvo de incontestável conluio processual. Não é nada disso, mas sem reação, processos continuarão sendo anulados e criminosos soltos. E reclamar será considerado um ataque a democracia. Democracia dele, claro.
Vicente Lino.