A família e os amigos do sargento Roger Dias, de 29 anos, assassinado em Belo Horizonte, por um preso que estava na rua beneficiado pela saidinha, discordam do adiamento da derrubada do veto de Lula, ao projeto aprovado pelo Congresso. O sargento Roger Dias foi baleado na cabeça durante uma perseguição. O autor dos tiros estava foragido após ser beneficiado pela “saidinha de Natal”, defendida pelo governo. Insensível à dor das famílias, com descaso pela aprovação do Projeto de Lei pelo Congresso e ignorando o desejo da maioria do povo brasileiro, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, comemorou o adiamento da análise do veto do presidente Lula e defendeu que o veto seja mantido. Além dos malfeitores de colarinho branco, Alexandre Padilha e sua trupe querem também os outros criminosos na rua. É estarrecedor, mas ele afirmou que pretende intensificar as conversas com todas as bancadas, acompanhado do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, nos próximos dias, antes da próxima sessão do Congresso marcada para o dia 28 de maio. Não sabemos se haverá fugas por conta das prováveis saidinhas, do dia das mães. Mas, temos certeza de que ninguém no governo será responsabilizado por elas e nem penalizado se outros crimes forem cometidos. Agradecendo o acordo firmado com os indefectíveis presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco e Arthu Lira, o ministro Padilha afirmou, sem nenhum constrangimento, que tem conquistado votos e manifestações favoráveis a esse veto.
Fingem não saber que, só no Vale do Paraiba, em 5 anos, quase 3 mil presos não retornaram aos presídios após as saídas temporárias. Sabem, mas fingem não saber o que a série histórica mostra; na virada de 2019 para 2020, 1.487 presos não retornaram; em 2021, foram 1.465; e em 2022, 1.614 presos fugiram durante a tal saidinha. Descaradamente não debatem o fato de que, por enquanto, 1.001 detentos foram flagrados infringindo as normas estabelecidas pelo Poder Judiciário ou cometendo novos crimes. Pelo que se vê, parte dos políticos e líderes partidários do governo, cooptados pelo ministro Alexandre Padilha com a ajuda dos presidentes do Senado e da Câmara, operam para aumentar o número de criminosos nas ruas. A sociedade que os sustenta continuará refém dos bandidos de colarinho branco de sempre. Agora, Carlos Minc opera par soltura dos outros bandidos.
Vicente Lino.