Como se sabe, a operação Lava Jato revelou esquemas de corrupção envolvendo políticos, agentes públicos, doleiros e empresários. Foi daqueles raros momentos em que o Brasil decente chegou a acreditar que a justiça era igual para todos. Entretanto, o que se assistiu, após o desmonte da Lava Jato, foi uma feroz perseguição aos procuradores, juízes e desembargadores que tanto fizeram pelo país. O Chefe da Operação, Deltan Dallagnol foi cassado, como Deputado Federal e o Senador Sergio Moro corre o mesmo risco. Agora, o Corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão decidiu afastar a Juíza Gabriela Hardt, sucessora de Sergio Moro. Além dela, foram afastados os Juízes Danilo Pereira, Carlos Eduardo Thompson e Loraci Flores de Lima. A decisão foi considerada por juristas como excessiva e baseada em argumentos fracos ou imprecisos, além de avançar na perspectiva de criminalização dos agentes que corajosamente combateram a corrupção e contrariaram interesses dos poderosos. Segundo Deltan Dallagnol, essas ações são para agradar um presidente da República que foi condenado e preso pela Lava Jato e que já manifestou publicamente o desejo de se vingar.
As Associações dos Juízes Federais, do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí reagiram afirmando: “juízes subservientes ao sistema político e sem independência funcional plena não têm condições de livremente assegurar os direitos dos cidadãos, especialmente contra os interesses dos poderosos”. Felizmente, na noite de ontem, o Conselho Nacional de Justiça reverteu o afastamento da juíza Gabriela Hardt e do juiz Danilo Pereira Júnior. A absolvição dos corajosos juízes acende alguma esperança de uma justiça melhor.
Vicente Lino