A Senadora Damaris Alves, quando ministra fez graves denúncias públicas acerca de abusos sexuais e tráfico de pessoas (mais especificamente crianças) para fins de exploração sexual na Ilha de Marajó. Não houve investigação e suas afirmações foram rotuladas como “fake news”. O surrealismo é tão cruel por aqui, que o Ministério Público Federal, no lugar de investigar, ajuizou Ação Civil Pública contra a senadora pleiteando indenização de 5 milhões, por conta de suas denúncias. Existe alguma coisa muito errada com um país em que uma mulher denuncia casos de abuso sexual infantil e é processada por aqueles que deveriam investigar o caso e proteger as crianças. Agora novos fatos provam que a ex-ministra estava certa. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2022, foram registrados 550 casos de crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes. Tem mais: denúncias sobre abuso sexual, pedofilia e outros crimes têm sido feitas desde 2015. Várias denúncias foram citadas na CPI da Pedofilia de 2008, no Senado Federal, presidida pelo Senador Magno Malta.
Causa muita indignação saber que agora, mesmo diante da divulgação de tantos crimes, a Assembleia Legislativa do Pará não se sensibiliza. Até o dia 5 de março, dos 41 deputados que atuam na Assembleia, apenas 9 assinaram o pedido de instalação de CPI para investigar a barbárie que se perpetua em Marajó.. O depoimento da cantora gospel Aymée é assustador. Ela mora lá. Afirmou que as familias são muito carentes, que as criancinhas de 6 e 7 anos saem numa canoa e se prostituem no barco por cinco reais. A gente não sabe o que os deputados do Pará escondem, por que não assinam a CPI e por que não querem investigar essas graves denúncias. Pode ser incompetência, hipocrisia ou medo. É razoavel imaginar até mesmo a conivência de autoridades, com os crimes cometidos naquela região..
Vicente Lino