Em 2009, A revista inglesa “The Economist” publicou capa com a imagem do Cristo Redentor em forma de um foguete e a legenda, Brasil Decola. O texto chamava o Brasil de a maior historia de sucesso da América Latina. Na ocasião, a imprensa, bem atendida por verbas do governo, comemorou com muito ruído. Foi uma festa só. Durou pouco e já em 2019, a mesma revista voltaria a tratar da economia do país, mas de maneiras diferentes: a frase “Brasil decola” de 2009 foi substituída pelas palavras “estragou tudo” em 2013, e “traição” em 2016. Os indicadores econômicos de resultados positivos, do final dos anos 2000 sofreram forte inflexão e passaram a uma sequencia de recordes negativos. De novo, ocorreu o que os economistas chamam de voo de galinha. A gente não sabe como a imprensa vai se comportar agora, mas a mesma “Economist” abre páginas nada elogiosas á justiça. Brasileira. Cita as absurdas decisões do ministro Dias Toffoli, com a suspensão das dívidas da Odebretch.
No mês anterior – continua a revista -, ele havia suspendido outra multa aplicada á JBS, dona do maior frigorífico do mundo, e as empresas concordaram com as multas como parte de acordos de leniência nos quais seus executivos admitiram ter subornado autoridades brasileiras. Ao citar a Lava Jato, a revista fala que a operação fez parte de uma onda de atividades anticorrupção que varreu a América Latina na década de 2010. E que as decisões de Toffoli correspondem a um novo agravamento da percepção da corrupção em toda a região. Como se vê, a revista que elogiou a economia brasileira, em 2009 e a criticou severamente em 2019, agora escancara a corrupção brasileira nos tempos atuais e afirma que o Brasil caiu dez posições num índice anual de corrupção divulgado pela Transparency International, colocando-o entre os países considerados os mais corruptos do mundo. A revista está disponível e talvez sirva para ensinar a imprensa brasileira noções de imparcialidade e coerência.
Vicente Lino