O jornal O Estado de S. Paulo entrevistou o ministro do STF Gilmar Mendes e parece não ter gostado do que ouviu. Ultimamente aliás, pouca gente gosta do que os ministros dizem. Ele afirmou que Bolsonaro é um culpado confesso e autor material de uma tentativa de Golpe de Estado, referindo-se á balbúrdia de 8 de janeiro, que os ministros ainda insistem em chamar de golpe. O jornal afirma que suas as falas são uma contradição com o que diz a Constituição, a Lei Orgânica da Magistratura e a sensatez. E avaliou que é disfuncional um juiz do STF antecipar juízo fora dos autos e comentar em público sobre um tema em análise, presente ou futura, da Corte. O fato é que o ministro se comportou como analista político e não como magistrado e isso não é nenhuma novidade. Em outra ocasião, o ministro Luís Roberto Barros falou que o Congresso queria a eleição, com cédulas de papel, discursou em palanque político afirmando que derrotara o Bolsonarismo e, em Londres, disse que no Brasil havia o bem e o mal e que eles representavam o bem.
Se nada mudar, os ministros continuarão desrespeitando as leis e falando fora dos autos, porque estão blindados pelo ardiloso Regimento Interno do Congresso, que dá superpoderes aos presidentes daquelas Casas. A questão é que, por mais que as passeatas encham as ruas e que textos honestos, de parte da imprensa que ainda nos resta sejam publicados, dependemos apenas dos dois, porque apenas eles têm a prerrogativa para pautar os projetos de impeachment de ministros, mas usam os superpoderes para não cumprir seus deveres. Assim, a decisão da pauta deveria caber ao plenário do Congresso, por todos representantes eleitos pelo voto popular. Estaríamos livres da verborragia de ministros e, talvez pudéssemos experimentar um sistema de justiça onde as questões são tratadas com um mínimo de seriedade.
Vicente Lino