Por quanto tempo o país continuará passando vergonha para o mundo civilizado a gente não sabe. Não faz muito tempo, o cidadão americano, Jason Miller, ex-conselheiro de Donald Trump e criador da rede social GETTR, experimentou nosso tosco autoritarismo. Quando deixava o país, Miller foi conduzido à sala da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Brasília para ser ouvido no âmbito do inquérito das fake news, sob o comando do ministro Alexandre de Moraes. Sua comitiva foi inquirida durante três horas e, com a ação de advogados, finalmente foram liberados. O vexame de agora é com o jornalista português Sergio Tavares, detido pela PF quando entrava no Brasil. Ele precisou responder questionamentos em relação ao seu posicionamento sobre Alexandre de Moraes, Flávio Dino e sobre vacinas. Ainda alegaram que ele não teria visto de trabalho. Porém, regra do Ministério das Relações Exteriores isenta jornalistas da União Europeia de apresentar o documento para exercer atividade jornalística em até 90 dias. Era só truculência mesmo.
A gente percebe que a escuridão só aumenta, por conta do silêncio, das entidades de defesa dos jornalistas, além de uma parte da imprensa, claro. A Federação Nacional dos Jornalistas, a Associação Brasileira de Imprensa e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, apenas disseram que esse é o procedimento padrão nos aeroportos do mundo. Não é. Ninguém é parado em aeroporto nenhum para ser questionado sobre o que pensa do judiciário local. Pelo que se vê, ainda há muito trabalho pela frente. Ainda falta respeito, mesmo após gigantesca manifestação popular, a favor de justiça e liberdade.
Vicente Lino.