A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro está fazendo o que pode, para atender pessoas ainda presas e outras que, com tornozeleiras, não conseguem vida digna, emprego e sofrem diversos tipos de transtornos psicológicos. A psicanalista Luciane Lober de Souza relata que um de seus pacientes amarrou uma corda no teto da garagem e afirma que vai usá-la quando a polícia chegar para prendê-lo novamente. Ele tem 43 anos, foi preso durante os atos do 8 de janeiro e passou sete meses na cadeia. Em outro caso, a médica relata que outra paciente, uma enfermeira de 53 anos, passou dois meses presa e está com depressão profunda, de cama e tentou tirar a própria vida. O relato, sobre a humilhação por que ela passou confirma o horror medieval que se instalou no nosso sistema penitenciário. A paciente teve de desentupir o vaso sanitário da penitenciária com as próprias mãos porque não lhe deram nada para usar. A crueldade, desumanidade e covardia foram tão grandes que ao pedir um vermífugo para evitar doenças, ela foi alvo de deboche.
Assim, a vítima de um processo inteiramente ilegal, depois de presa é novamente desrespeitada pela estupidez e deboche do carcereiro. No topo e na base, são maus funcionários, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, que recebem salários em dia e prestam péssimos serviços. De outro lado, brasileiros estão com bens bloqueados, perderam emprego, e muitas famílias têm passado fome. Segundo ela. “Isso é tortura psicológica, assim como acontecia na época de Hitler”. De acordo com o neuropsicólogo Otávio Augusto Cunha Di Lorenzo, entre as vítimas da barbárie que tomou conta do Brasil, “Há um sentimento de injustiça muito grande, e medo de morrer na cadeia porque são, em sua maioria, idosos que temem viver novamente o pesadelo da prisão. Quanto descemos. E a que nível de degradação chegou a justiça no Brasil.
Vicente Lino.