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Consumo excessivo de chá de 'Lixeira' pode ter efeito contrário, diz pesquisa em MT; planta é usada para tratar doenças hepáticas

FOTO: Divulgação

Consumo excessivo de chá de 'Lixeira' pode ter efeito contrário, diz pesquisa em MT; planta é usada para tratar doenças hepáticas

Uma pesquisa avaliou que o alto consumo do chá feito à base da planta 'Lixeira' pode causar danos à saúde. Segundo pesquisadores, o chá é popularmente usado em Mato Grosso para o tratamento de doenças no fígado e diabetes, mas a dosagem errada pode ter efeito contrário e contribuir para o surgimento dessas doenças.

A pesquisa coordenada pela doutora Cláudia Marlise Balbinotti Andrade do departamento de Químico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com a participação do pesquisador Fhelipe Jolner Souza de Almeida, foi iniciada em 2015 e finalizada em 2017. No entanto, os resultados foram divulgados somente na terça-feira (2).

Fhelipe explicou que o objetivo da pesquisa é fazer uma associação entre o potencial antioxidante e a atividade antifibrótica do extrato. Os resultados mostraram que o efeito da planta depende da quantidade utilizada.

Quando a concentração era igual ou menor a 2 mg/ml, o extrato não apresentou toxicidade para as células, o que pode significar a melhora do quadro de fibrose. No entanto, concentrações superiores a 3mg/ml foram pró-oxidantes, direcionando as células para a morte.

“Ela possui uma proteção do tecido hepático em baixas doses, mas o consumo excessivo de um produto natural pode causar danos no fígado”, explicou.

O pesquisador ressaltou que o estudo foi realizado em células dos fígados de hamsters e que ainda não foi testado em humanos. “Por isso, não podemos recomendar o uso ou a quantidade ideal para as pessoas”, disse.

O chá usado por moradores de Mato Grosso e popularmente conhecido na baixada cuiabana é feito da casa da 'Lixeira'. Após a retirada da casca, uma quantidade de água é aquecida e a extração é feita em água morta para que não tenha uma elevada concentração.

“A casca possui ativos que indicam um efeito oxidante. O consumo excessivo de álcool e fármacos sobrecarrega o fígado, então a busca por um produto natural que previna danos hepáticos é fundamental”, avaliou o pesquisador.

FONTE: G1 MT
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